Um dos maiores campeões de kart do Brasil (sete títulos nacionais no total), Paulo Carcasci vem se dedicando há mais de 25 anos à função de coach de pilotos, com atuações decisivas nas carreiras destes esportistas.

Paulo (à direita) com Binho Carcasci e Claudio Thompson em evento da Seletiva (Nicola Pizarro)

Além das conquistas no kart, Carcasci também traz na bagagem os títulos de Campeão Europeu de Fórmula Ford 1600, Campeão Inglês BBC FF2000 e Campeão da Fórmula 3 Japonesa. O ex-piloto também foi vencedor da Gold Cup na F-3000 nos anos 90.

Coach de grandes nomes do automobilismo nacional e internacional no passado, como Antonio Pizzonia, Luciano Burti, Nico Muller, Luca Ghiotto e André Negrao, Carcasci conta com mais de 25 anos atuando na Europa, junto às categorias de acesso e também na F-1.

Conquistou reconhecimento, tanto da imprensa especializada quanto das equipes, e foi o primeiro coach a receber duas páginas na revista semanal Autosport inglesa em uma matéria falando sobre seu trabalho na F-1 com Antonio Pizzonia.

Paulo embarcou para a Inglaterra em 1997 na missão de guiar o então jovem manauara, que apesar de ter vencido no kart brasileiro, ter participado com sucesso na Fórmula Barber Dodge nos EUA, vinha enfrentando dificuldades na F-Vauxhall Inglesa.

Em apenas dois meses de trabalho, os resultados começaram a aparecer, com a primeira vitória logo em seguida. “Me dá muito prazer ver um piloto atingir seu potencial máximo”, comenta Paulo. “O Paulo teve papel importantíssimo para que eu chegasse a F-1”, declara Pizzonia.

André Negrão, que já venceu duas vezes as 24 Horas de Le Mans, e é o atual campeão mundial na categoria LMP2 também destaca: “Uso ensinamentos e métodos que aprendi com o Paulo ainda hoje e, se não fosse isso, não teria como atingir o nível de pilotagem que tenho atualmente”.

Sergio Jimenez, atual campeão mundial do Jaguar I-PACE eTROPHY, é outro que ressalta o trabalho de coach de Carcasci. “O Paulo foi essencial para que eu reerguesse minha carreira profissional, depois das dificuldades que tive na Inglaterra. Com suas técnicas e métodos, o Paulo me colocou nos trilhos novamente e hoje consegui ser o primeiro campeão mundial de carros de turismo elétrico. Tenho muito a agradece-lo”, afirma.

Um dos pioneiros
Quando partiu para a Europa, para correr na Fórmula Ford – onde conquistou o título europeu e sete vitórias em 1985 -, Carcasci sempre mostrou seu talento dentro e fora das pistas.

Também atuou como piloto de desenvolvimento, testando vários carros fabricados pela Van Diemen, o que abriu muitas portas e permitiu que Paulo trabalhasse com o filho de Jackie Stewart, além de atuar como coach dos pilotos da Jaguar na F-1, Luciano Burti e Antonio Pizzonia, e na F-3, com Thomas Scheckter e Narain Karthikeyan. “Nesta época, esse tipo de trabalho era pouco conhecido, nem mesmo se usava o título de coach. Mas em pouco tempo já ficou provado que bem feito ele surtia grandes efeitos e resultados nas pistas”, lembra.

“Ao contrário de outros esportes, no automobilismo, o coach pouco aparece. No tênis, eles estão sentados nas primeiras filas dos grandes torneios. Os golfistas têm os seus ‘cads’ caminhando junto com eles, para dar alguns exemplos. Nos autódromos, esse reconhecimento e destaque ainda não é tão grande, mas a diferença é notável e todo piloto que atua com um bom coach consegue evoluir e crescer no esporte exponencialmente”, avalia Carcasci, que também esteve à frente de um importante evento de kart no Brasil.

“Durante 20 anos, fui diretor técnico e coach na Seletiva de Kart Petrobras, ajudando os jovens pilotos na decisão deste torneio apoiado pela Petrobras. Também atuei em um evento parecido para seletiva mundial de pilotos da Elf na França”, conta Carcasci.

Entre tantos trabalhos e reconhecimento, Carcasci também tem muitas histórias inusitadas nas pistas. Uma delas com o heptacampeão mundial de F-1, Michael Schumacher. “Quando ele veio ao Brasil, para disputar o Desafio das Estrelas de kart, em 2009, eu fui contratado inicialmente para ser o seu tradutor. No final, acabei o ajudando no acerto do kart e ele ficou muito agradecido. Deu certo, porque ele venceu a prova e até me convidou para comemorar junto com seus amigos alemães”, finaliza.

 

Por Fernanda Gonçalves

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