Kart Motori Brasil inicia primeiro projeto incentivado e leva ao Ministério do Esporte modelo integrado para o kartismo Por Kauê Karneiro Publicado em 20 de agosto de 2026 Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no Google+ Compartilhar no Pinterest Projeto aprovado pela Lei de Incentivo ao Desporto de Mogi das Cruzes entra em execução enquanto Base Brasil, Elite Brasil e Formação de Paddock avançam para análise de admissibilidade no SLI do Ministério do Esporte Marcos Borenstein(Pedro King) A Motori Brasil começa a transformar em execução uma tese que vem construindo desde sua criação, em 2025: para desenvolver o kartismo brasileiro não basta apoiar pilotos isoladamente. É preciso organizar uma cadeia que reúna formação esportiva, alta performance, educação, qualificação profissional e gestão. O primeiro passo prático acontece agora. O projeto Desenvolvimento Esportivo – Marcos Borenstein Affonso Ferreira, apresentado pela Motori Brasil e aprovado pela Lei de Incentivo ao Desporto – LIDE de Mogi das Cruzes, entra em execução neste segundo semestre. Mogi das Cruzes é o município responsável pelo mecanismo de incentivo que aprovou e viabilizou o projeto. A execução esportiva acompanha o calendário de competições do piloto, em diferentes kartódromos. Ao mesmo tempo, a Motori Brasil concluiu o protocolo de três projetos no SLI – Sistema da Lei de Incentivo ao Esporte, do Ministério do Esporte. São eles o Base Brasil, o Elite Brasil e o Formação de Paddock. Os três projetos foram protocolados e enviados à análise de admissibilidade. Portanto, ainda deverão cumprir as diferentes etapas previstas na legislação federal antes de eventual aprovação, captação de recursos e execução. Apesar de diferentes, os projetos foram desenhados para funcionar como partes de um mesmo sistema. Três projetos. Um ecossistema Da formação à alta performance O Base Brasil, protocolado no SLI sob o nº 2603053, foi estruturado para cinco atletas em desenvolvimento competitivo. O programa combina treinamento técnico, preparação física e psicológica e participação em calendário nacional de competições. Há, entretanto, um componente adicional: a dupla carreira. A permanência e o desempenho escolar integram o conceito do projeto. A proposta prevê acompanhamento acadêmico e procura evitar uma escolha que ainda aparece com frequência na formação esportiva: estudar ou competir. Na etapa seguinte aparece o Elite Brasil, SLI nº 2603086, também destinado a cinco pilotos, mas com trajetória competitiva já comprovada. O projeto acrescenta recursos ligados à alta performance, como telemetria, engenharia de dados e suporte multidisciplinar, além de calendário nacional e previsão de participação de dois atletas em três etapas internacionais. Mesmo em um programa de maior rendimento esportivo, a dupla carreira permanece como parte da metodologia. A ideia é tratar a formação do piloto não apenas como construção de performance, mas como desenvolvimento de carreira. E quem forma o paddock? O terceiro projeto talvez represente a maior ampliação do conceito. O Formação de Paddock, protocolado sob o nº 2603241, não é direcionado primordialmente a pilotos. A proposta é formar jovens para profissões ligadas ao automobilismo. Mecânica, telemetria, operação esportiva e regulamento fazem parte do conteúdo previsto, em uma formação técnica de 160 horas. O desenho contempla uma base fixa e também um Campus Itinerante, capaz de acompanhar atividades e competições e aproximar jovens do ambiente real do automobilismo. O projeto prevê prioridade para alunos da rede pública e alcance superior a 100 beneficiários. A lógica é relativamente simples: o automobilismo precisa formar pilotos, mas também precisa formar quem trabalha com eles. Um kart não chega à pista sozinho. Ao redor do piloto existe uma cadeia composta por mecânicos, preparadores, engenheiros, profissionais de dados, gestores, organizadores, fornecedores e especialistas em diferentes áreas. Criar oportunidades de entrada também por esse caminho amplia a discussão sobre formação no automobilismo. Nem todo jovem que se aproxima do kart será piloto. Mas ele pode encontrar no paddock uma profissão. O primeiro teste acontece agora Antes de tentar ampliar esse modelo, entretanto, a Motori Brasil terá pela frente uma experiência concreta de execução. O projeto de Marcos Borenstein é a primeira iniciativa incentivada da organização a percorrer integralmente o ciclo de captação, execução e prestação de contas. A experiência deverá testar não apenas desempenho esportivo. Pneus, motores, inscrições, combustíveis, treinos, equipe técnica, coaching, deslocamentos e manutenção fazem parte de uma operação de kart de competição. Quando existem recursos incentivados, toda essa estrutura passa também a exigir orçamento previamente aprovado, documentação fiscal, comprovação das despesas e prestação de contas. É nessa combinação entre pista e gestão que a Motori Brasil pretende validar seu método. Marcos Borenstein, de 19 anos, chegou relativamente tarde ao kart de competição, aos 16. Em 2025, em seu segundo ano na categoria F4 e primeiro nos motores dois-tempos, conquistou o título geral da Copa São Paulo Bradesco na F4, terminou em terceiro na Copa São Paulo Light F4 e em sétimo na Sprinter 2T. Também foi quinto colocado na Copa Brasil de Novatos 2T, sexto no Campeonato Brasileiro de F4 e décimo no Brasileiro de Novatos 2T. No segundo semestre de 2026, sua programação inclui competições da Copa São Paulo Light e provas preparatórias para o Campeonato Brasileiro, além do próprio Brasileiro de Kart. Da experiência familiar para uma proposta institucional A Motori Brasil nasceu da experiência de Geraldo Affonso Ferreira acompanhando a trajetória do filho no kart. Ao entrar mais profundamente no ambiente da modalidade, ele identificou uma diferença entre o grau de sofisticação existente dentro da pista e a organização encontrada, muitas vezes, fora dela. No kart, praticamente tudo é medido. Tempo de volta, telemetria, temperatura, pressão dos pneus, acerto do equipamento e evolução do piloto fazem parte da rotina. A questão levantada pela Motori Brasil é porque orçamento, contratos, responsabilidades, indicadores e fluxo de recursos não deveriam seguir lógica semelhante. Geraldo traz para o automobilismo uma trajetória ligada à governança corporativa, atuação em conselhos fiscais e comitês de auditoria de empresas e organizações. Foi dessa combinação entre kart e governança que surgiu a proposta institucional da entidade. Antes do primeiro projeto incentivado, a Motori Brasil iniciou suas atividades com recursos próprios, participação das famílias e parceiros técnicos. O projeto aprovado pela LIDE de Mogi das Cruzes passa agora a representar uma etapa diferente: colocar procedimentos, controles e responsabilidades à prova em uma operação financiada por incentivo fiscal e submetida à prestação de contas ao poder público. Governança como parte da competição Para patrocinadores, a discussão também pode ser relevante. Durante muitos anos, boa parte do patrocínio ao automobilismo de base esteve vinculada à relação direta entre empresário, piloto, família ou equipe. A profissionalização tende a exigir outra linguagem. Marketing continua importante, mas decisões corporativas de patrocínio podem envolver também áreas financeira, jurídica, tributária, compliance, sustentabilidade e governança. Nesse ambiente, exposição de marca deixa de ser o único elemento da decisão. Entram em cena orçamento, indicadores, contratos, documentação, prestação de contas e capacidade de demonstrar onde e como os recursos foram empregados. A Motori Brasil pretende testar essa lógica no kartismo. O desempenho na pista continuará sendo uma medida fundamental, mas não será a única. Três projetos, um método Se os projetos apresentados ao Ministério do Esporte superarem as etapas de análise e posteriormente conseguirem captar os recursos necessários, a Motori Brasil poderá ampliar significativamente o modelo iniciado nesta primeira experiência incentivada. O Base Brasil cuidaria do desenvolvimento competitivo. O Elite Brasil avançaria para a alta performance. O Formação de Paddock criaria uma porta de entrada para profissionais que poderão trabalhar no esporte. Há ainda um elemento transversal aos três: formação. Para os pilotos, isso significa combinar esporte e educação. Para os jovens do paddock, significa transformar contato com o automobilismo em qualificação profissional. E, para a própria organização, significa aprender a executar projetos esportivos com planejamento, controles e prestação de contas. A dimensão dessa proposta talvez esteja justamente aí. Não se trata apenas de descobrir o próximo piloto brasileiro. Trata-se de construir o ambiente necessário para que pilotos e profissionais possam se desenvolver. Da formação à excelência esportiva. Da pista à profissão KG COM Assessoria de Comunicação – Erno Drehmer
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