Principal Matérias Velocidade no Asfalto Campeão Mundial, Villeneuve exalta ano de estreia de Bortoleto na F1: “Surpresa da temporada”

Campeão Mundial, Villeneuve exalta ano de estreia de Bortoleto na F1: “Surpresa da temporada”

Piloto canadense concedeu entrevista exclusiva ao PokerScout

Foto: Wikimedia Commons

Campeão mundial de Fórmula 1 em 1997, Jacques Villeneuve analisou a temporada 2025 da categoria e foi direto ao apontar Max Verstappen como o grande nome do ano, colocando o holandês no mesmo patamar dos maiores campeões da história. Quanto a surpresa da temporada, ele não exitou a colocar Gabriel Bortoleto como destaque. Em entrevista exclusiva ao PokerScout, o canadense também elogiou o impacto imediato de Carlos Sainz na Williams, destacou Ollie Bearman e comentou a irregularidade da Ferrari, além de projetar um 2026 cercado de incertezas com a chegada do novo regulamento técnico. Abaixo, confira a entrevista completa:

Verstappen foi o grande nome do ano?

Sem dúvida, o Verstappen foi o destaque do ano. Ele esteve em alto nível o ano inteiro. A única vez que jogou alguns pontos fora foi em Barcelona, e nem foram tantos assim. Ele esteve sempre lá, guiou aquele carro acima do que ele realmente oferecia e se colocou na briga pelo campeonato quando, teoricamente, não deveria. E isso depois de já ter ganhado quatro títulos, três deles com muita facilidade.

Isso não o acomodou; pelo contrário, ele mostrou que é de verdade. Ele está em outro nível. Está no mesmo patamar dos grandes campeões da história. Nem todo campeão foi um grande campeão.

Como você avalia essa temporada em termos de competição, emoção, drama e apelo?

Foi uma das boas temporadas, porque depois das primeiras corridas parecia que seria uma disputa direta entre as McLarens e que não teria graça nenhuma. Mas eles conseguiram manter o drama até a última corrida. Terminar com apenas dois pontos de diferença depois de 24 GPs, sendo que uma vitória vale 25 pontos, é praticamente nada. Isso é incrível.

Quem foi o herói “esquecido” da temporada?

Fiquei surpreso com as equipes menores, como Williams e Sauber, especialmente a Williams. O Carlos Sainz basicamente mudou a equipe. O time deu um grande passo à frente e conseguiu resultados muito acima do que esperava, porque o carro realmente evoluiu. Dá para dizer o mesmo da Sauber, com Nico Hülkenberg e Gabriel Bortoleto. Eles foram uma surpresa. Eu já esperava isso do Sainz, por isso ele foi contratado. A equipe está tomando decisões corretas em relação aos pilotos. No fim das contas, isso é corrida. E é isso que eles estão fazendo.

E a Ferrari, será que pensa: “o que fizemos ao deixá-lo sair?”

Eles dizem que estão totalmente focados na próxima temporada, então vamos esperar para ver. Foi estranho, porque houve corridas em que eles foram competitivos e outras em que não foram. Não havia um padrão claro de quando ou por que eram competitivos. De fora, foi algo bem estranho de ver.

Se a Williams tivesse um carro realmente bom, o Carlos Sainz teria potencial para ser campeão mundial?

É difícil medir se ele tem ou não potencial para ser campeão mundial. Provavelmente a resposta é sim. Só que é muito difícil avaliar até que um piloto esteja realmente em posição de disputar o título. É uma mentalidade diferente. Há muitos pilotos extremamente rápidos que nunca, jamais, vão ganhar um campeonato. E há pilotos um pouco mais lentos, mas que têm o que é necessário para conquistar o título. Vale a pena dar essa chance a ele, pelo jeito como ele trabalha.

Quem foi o estreante do ano, na sua opinião?

Eu escolheria o Ollie Bearman. Ele estava na Haas e, de modo geral, foi muito rápido. Depende de qual parte da temporada você analisa. O Antonelli teve um bom final de temporada; o Bearman também; e o Bortoleto foi muito bem no meio do ano. O Hadjar teve momentos de brilho. Mas nenhum deles conseguiu manter esse nível durante toda a temporada. No geral, fico com o Bearman.

Qual equipe foi a maior decepção então? A Ferrari?

Prefiro não comentar sobre eles; senão vou receber mais mensagens de ódio. É fácil criticar a Ferrari porque ela está sempre sob os holofotes. Então tudo o que eles fazem — ou deixam de fazer — fica muito evidente. Isso não acontece com as outras equipes.

O que podemos esperar de 2026? Diferenças de dois ou três segundos na classificação? Uma equipe muito acima das outras?

As diferenças vão ser maiores. As estratégias também serão bem diferentes, porque vai ser preciso usar bateria, asa móvel e tudo mais. Então há muita coisa nova que vamos descobrir. Não sabemos o que esperar. Esse é o ponto. Pode ser ótimo, pode dar errado. Vamos torcer para que seja ótimo. É uma mudança grande e vai exigir uma abordagem totalmente diferente na forma de correr. Nem todos os pilotos vão se adaptar bem, nem todas as equipes vão se adaptar bem.

O DRS vai acabar oficialmente. Como deve ser o substituto?

Eu não gostava do DRS, isso é certo. Então vamos torcer para que a alternativa seja melhor.

Devemos esperar mudanças de pilotos, talvez não para o ano que vem, mas para 2027?

Bom, o Max tem um contrato de um ano, então ele está ali esperando para ver o que vai acontecer. Ele é a peça-chave, é quem manda no jogo.

Ele pode ir para qualquer lugar. Qualquer equipe seria burra de não contratá-lo.

Isso vai depender de como o motor da Ford vai se sair ou ele só iria para um lugar melhor?

Todos os carros dele foram projetados pelo Adrian Newey, de uma forma ou de outra. O próximo ano é uma grande incógnita. Esse é o aspecto que eu acho mais empolgante nas novas regras. Neste ano, a gente meio que sabia que a McLaren seria rápida, então não foi surpresa — só foi mais rápida do que o esperado. No ano que vem, é um tiro no escuro. Pode ser qualquer equipe. Isso é incrível.

Foto: Wikimedia Commons

Victor Rocha
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