O piloto paranaense abre o jogo sobre a transição Terra/Asfalto no automobilismo brasileiro

Foto: Vanderley Soares

Um dos maiores nomes da Velocidade na Terra, com títulos nacionais, estaduais e regionais, Christiano Bornemann conta nesta entrevista como foi deixar a poeira das pistas de terra para integrar o mundo das competições de Turismo em solo asfáltico na Copa HB20. Os erros, acertos e os desafios que enfrentou na temporada 2019.

Revista Podium – Chris, qual foi a sensação de sair da sua zona de conforto, que era a VNT, para a Copa HB20, no asfalto, um mundo que era estranho para você?

Chris Bornemann – O Brasileiro e o Catarinense de VNT eram campeonatos renomados. Sair deles e apostar em uma estrutura, um sistema com um padrão que eu não estava acostumado era bom demais pra ser verdade, mas acreditei na Copa Hyundai HB20 desde o início e o Daniel Kelemen cumpriu tudo o que prometeu, inclusive a transmissão por TV.

 

RP – Estrear em uma categoria nova, com um carro novo e novas pistas em cada etapa te motivou ou te deu medo?

CB – A palavra não é medo. Fiquei apreensivo quando fui correr em pistas que eu ainda não conhecia. A vida toda pilotei um Gol, mas quando eu fiz o teste no HB20 em Interlagos foi paixão à primeira tocada e isso me motivou.

 

RP – Como foi ter como parceiro de pilotagem o irmão mais novo, que até então era o seu adversário na pista?

CB – Por eu ser o irmão mais velho, e consequentemente, com mais tempo de pilotagem, esperava-se que eu tivesse que ensinar o Lucas no asfalto. Mas já na primeira etapa em Campo Grande ele conquistou um podium. A partir daí eu tive que começar a seguir os passos daquele que imaginavam que teria que ensinar. Inverteram-se os papeis e eu me diverti com isso.

 

RP – Teve aquele momento “o que eu estou fazendo aqui”, quando e como foi?

CB – Teve sim! Eu estava em segundo lugar em Cascavel e nas voltas finais o câmbio quebrou, em seguida um acidente me tirou a chance de conquistar o primeiro podium na Copa HB20. Foi o pior momento do ano. Demorei alguns dias pra digerir o sabor amargo daquela derrota.

RP – E o instante “estou onde tinha que estar”, teve, quando e como foi?

CB – Olha que incrível! Eu fui convidado para participar da Cascavel de Ouro no famoso carro “Hulk”. A prova aconteceu um mês depois do meu pior momento na Copa HB20. Fiz dupla com o campeão da Turismo Nacional Ale Souza. Ele sofreu um acidente durante o primeiro treino e ficamos fora dos demais. Na Tomada conseguimos o 10º melhor tempo e a corrida foi fantástica. Administramos a posição e subimos no pódio no Top 10 entre as 50 duplas que participaram. Ali sim eu pensei: estou onde deveria estar.

 

RP – Você trouxe para o asfalto alguns dos patrocinadores e parceiros da Terra. Eles te apoiaram de imediato?

CB – Alguns não, todos! Os meus patrocinadores na VNT acreditaram na proposta da Copa HB20 assim que eu passei o feedback do que vi quando fui conhecer o projeto e a estrutura do campeonato. E nós estamos no caminho certo.

 

RPQual o maior aprendizado desta primeira temporada de competições no asfalto?

CB – O automobilismo está se reinventando com esta geração de carros com reações diferentes, eletrônicos, telemetria e todos os recursos tecnológicos e modernos que eu não estava acostumado. Aprendi que eu preciso me reinventar também. Nunca vou esquecer o automobilismo raiz, o conta giros, os relógios com ponteiros, nunca vamos esquecer as condições dos carros mais antigos, mas pra ter um bom resultado hoje, preciso me adaptar com o novo.

RP – O que podemos esperar do Christiano Bornemann em 2020?

CB – Muita dedicação e esforço, como sempre, para alcançar o meu objetivo. Em 2020 eu assumo o HB20 sozinho, com isso terei mais tempo de pilotagem e poderei acelerar o processo de conquistar o melhor resultado. Automobilismo é treino, prática, dedicação e fé. É isso o que vocês podem esperar de mim nesta nova temporada.

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